sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Natureza por todos os lados

Uma das minhas coisas favoritas na Irlanda é o constante contato com a natureza. Mesmo em Dublin, a capital, o dia a dia esbanja gaivotas, patos, áreas verdes, céu azulão (quando não chove...) e espetáculos na hora do pôr do sol. Além disso, basta andar uns 30 minutos de ônibus para a natureza ficar ainda mais evidente, seja na orla de Bray, seja nos imensos jardins de Powerscourt.

Agora que estamos passando um tempo numa fazenda bem no norte do país, essa sensação triplica  e nada melhor do que falar sobre isso por meio de imagens, a começar pelas de um passarinho de cara laranja que sempre nos acompanha nos trabalhos. Outro dia foi a minha vez de segui-lo e observá-lo, e consegui fotografar o momento em que o vento bateu em seu peito e refrescou suas penas:



E assim seguimos apreciando as pequenas grandes coisas da vida...
(Clique nas fotos para ampliá-las.)




















quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Uma semana na fazenda

Como se sair do Brasil para morar um tempo em Dublin não fosse aventura suficiente para nós, há uma semana demos outro passo rumo ao desconhecido: um projeto chamado “work away”, em que você faz trabalho voluntário em troca de casa e comida. Criamos um perfil no site (o valor para isso é de 20 euros por ano ou de 30 para um perfil de casal, como o nosso) e mandamos email para alguns lugares que nos interessavam. As vagas de work away são muitas, ao redor do mundo, e incluem limpar e cozinhar em hostel, cuidar de crianças, ajudar na produção de geleia e na manutenção de fazendas e haras. Alguns lugares exigem experiência para a função, mas muitos estão dispostos a ensinar os “workawayers”, como somos chamados.

Nós optamos por continuar na Irlanda, para ter uma primeira experiência num país mais familiar, e fomos escolhidos por uma família que vive em Cashel Na Gore, no condado de Donegal. Eles (um casal poucos anos mais velho que a gente e três crianças: duas meninas, de 5 e 8 anos, e um menino, de 6) têm uma fazenda com dois bodes e cinco porcos, além de dois coelhos de estimação. A parte principal do work away diz respeito aos jardins orgânicos com que a mãe da família trabalha. 


Cashel Na Gore fica no extremo norte da República da Irlanda, a oeste da Irlanda do Norte (inclusive passamos por lá para chegar aqui), numa viagem de cinco horas de ônibus e com paisagens lindas. No vilarejo aqui perto, uns 80% da população tem o gaélico (“irish”) como língua principal. Sentimos mais frio na barriga para vir para cá do que quando saímos do Brasil rumo à Irlanda! Passado o nervosismo inicial, a recepção não poderia ter sido melhor. No dia de nossa chegada havia nevado bastante, e logo nos vimos envolvidos em uma guerra de bolas de neve e na montagem de um boneco de neve. Naquela noite choveu e ventou de uma forma assustadora, e no dia seguinte descobrimos que era por causa de uma tempestade chamada... Rachel!

Nesta terça-feira, completamos uma semana aqui e até agora plantamos cebola, limpamos estufas, levamos material para a compostagem, carregamos pedras e cortamos folhas e galhos velhos, algo totalmente diferente para pessoas acostumadas com a cidade grande. Outra coisa que nunca havíamos imaginado que faríamos na vida foi caçar porcos fugitivos! Dias atrás, três novos porcos chegaram à fazenda (o macho, a fêmea e o filhote), mas eles não foram colocados de imediato junto com os moradores antigos – a Peppa e o George –, por questões de defesa de território. Na primeira noite, a fêmea não queria ir para a casinha, então tivemos de encurralá-la para que andasse até lá. No dia seguinte, foi a vez de o macho escapar para a estrada em direção à casa do vizinho...

Das atividades de work away que pesquisamos, todas envolviam no máximo cinco horas de trabalho por dia e dois dias de folga na semana. Tomamos café e jantamos com toda a família, com direito a bate-papos divertidíssimos, especialmente por causa das crianças, claro. Dormimos num quarto numa casinha separada (na foto, é a porta verde depois do portão), mas o banheiro é na casa principal, o que significa sair no meio da noite (e do frio!) se a bexiga estiver cheia. Mas, como vamos ficar aqui por apenas um mês, isso não é empecilho – na verdade, torna a experiência ainda mais interessante e inesquecível!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Assim foi o Natal...

Hoje foi feriado na Irlanda, St. Stephen’s Day, mas as principais lojas do país estavam abertas desde cedo. É que estão chegando as liquidações de inverno, e o povo faz fila para aproveitar megadescontos no dia 26 de dezembro, ao estilo da Black Friday nos Estados Unidos, que ocorre após o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving). Sites de notícias daqui registraram filas desde manhãzinha e pessoas se acotovelando nas lojas, do jeito que a gente vê nos filmes.

Por outro lado, aqui no Natal também teve muita coisa legal que a gente vê nos filmes, o que de certa forma me deixou mais contagiada para celebrar. No frio, os símbolos natalinos a que eu estava acostumada desde criança fazem todo o sentido: meias em cima da lareira, chaminés, Papai Noel vestindo uma roupa superquente e gorro, renas (seja por causa dos veados do Phoenix Park, na foto acima, ou pelos carros decorados com nariz e chifre, na foto abaixo), lenha, neve e blusas de lã bregas (sobre as quais falarei mais adiante).

As festividades começam com as cerimônias para acender as luzes de Natal. Eu fui a uma delas, na Smithfield Square. O evento contou com show do The Young Folk (de quem eu já falei aqui e aqui) e da Lisa Hannigan, que fez parceria com ninguém menos que Damien Rice em "The blower's daughter", entre outras músicas (inclusive eu já a citei aqui). Abaixo tem um vídeo da Lisa cantando na praça, com imagens da árvore já acesa e mudando de cor.

video

A parte mais legal dos eventos de Natal foram os Christmas Markets, pois nos lembraram muito as quermesses do Brasil. O de Dublin foi montado entre a Grafton Street e o parque St. Stephen’s Green. Pequeno mas charmoso, tinha algumas barracas de artesanato e também de hot dog, hambúrguer e chips, trio básico da comida de rua aqui. Também tivemos a oportunidade de conhecer o mercado de Galway (no oeste da Irlanda – as duas primeiras fotos abaixo) e alguns de Praga (República Tcheca – demais fotos abaixo), um dos lugares mais famosos nessa área. E lá tinha até milho verde, para matar qualquer saudade que pudéssemos ter das quermesses brasileiras.







Mas agora voltando às blusas de lã bregas (inclusive com luzes e outros efeitos). Sim, aqui as lojas as vendem aos montes no Natal... E as pessoas compram. Não sei se para usar nas festas de fato, mas pelo menos numa maratona entre amigos chamada 12 Pubs of Christmas. O nome faz referência à música “12 days of Christmas”, e a brincadeira funciona assim: 12 pubs em uma noite, uma bebida por pub, cada pub seguindo uma regra. Por exemplo, em um pub só se pode beber com a mão esquerda, em outro deve-se falar com um sotaque falso, em outro deve-se conversar cantando, e por aí vai.  

A maratona de pubs é um costume bem recente, ao contrário de outras tradições irlandesas no que diz respeito aos comes e bebes de Natal, como a “mince pie” e o “Christmas pudding” (na foto). A primeira é uma torta de damasco, uva-passa, nozes e outros ingredientes, e o segundo é uma espécie de bolinho que leva frutas secas, ovos, gengibre, noz-moscada e canela, além de cerveja ou conhaque para mantê-lo umedecido. O segredo para deixar o prato mais saboroso é prepará-lo de um mês a um ano antes de servir! 

Outra tradição nesta região são os “Christmas crackers”, cilindros de papelão que devem ser puxados por duas pessoas, cada uma segurando uma extremidade, até que eles estourem e revelem o conteúdo do interior (normalmente, um pequeno brinquedo, um chapéu de papel no formato de coroa, uma piada, um enigma). É uma maneira simples de se divertir no Natal e mais comum do que fazer anjos na neve – pelo menos em Dublin, já que aqui não costuma haver um “white Christmas”... Mas esta é uma época de esperanças, então quem sabe em breve não vejamos um pouco de neve por aqui? Dedos cruzados! 

sábado, 8 de novembro de 2014

Música, música, música!

A cena musical de Dublin é, para mim, uma das coisas mais legais daqui. É possível ouvir gente talentosíssima de graça ou a preços acessíveis em pubs, festivais e até mesmo na rua, como na Grafton Street, lotada de artistas de todos os tipos. Num dos nossos primeiros meses na cidade, fomos ao festival City Spectacular, na Merrion Square, onde conhecemos o grupo The Young Folk (que eu já citei aqui) e logo virei fã.

No fim de outubro, eles fizeram um show na Button Factory para lançar seu primeiro álbum, “The little battle”, e nós estávamos lá. Ao vivo, o grupo é melhor ainda que no CD, que já é excelente. Segundo a revista “Maverick”, do Reino Unido, The Young Folk é uma das bandas irlandesas mais promissoras em décadas. Veja abaixo os clipes de “Way down south” e “Letters” e entenda por quê.



Igualmente talentosas são as meninas do Mongoose, que abriram o show:


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Uma caixinha de surpresas

Talvez a cena mais significativa do filme de animação “Boxtrolls”, que estreou em setembro na Irlanda e estreia hoje no Brasil, seja a que vem logo depois dos créditos finais com o elenco principal, quando a fala de um personagem presta uma homenagem aos artistas talentosos envolvidos com stop-motion. Dá pra imaginar que é preciso muita paciência e horas de trabalho duro para levar à telona visuais incríveis como os de “Boxtrolls”.

Não que os outros aspectos do filme sejam irrelevantes. Ao contrário, o elenco escolhido para dar voz (em inglês) aos peculiares cidadãos de Cheesebridge contribui fortemente para fazer desta uma das melhores animações que vi nos últimos anos. O vencedor do Oscar Ben Kingsley interpreta Archibald Snatcher, que, para ser aceito pela alta sociedade, persegue avidamente e captura criaturas subterrâneas conhecidas como boxtrolls.

Após anos assustando a população da cidade com histórias sobre esses supostos montros, o vilão é confrontado por Eggs, um menino criado por boxtrolls que está determinado a revelar a verdade sobre sua família estranha mas amável. Outros personagens participam de sua jornada, cada um com ideias preconcebidas sobre como os boxtrolls vivem e, portanto, desempenhando papéis diferentes na hora de ajudar (ou não) o garoto Eggs.

Baseado no livro “A gente é monstro!” (“Here be monsters!”), de Alan Snow, “Boxtrolls” ganhou vida pelas mãos do estúdio Laika, também responsável por “Coraline” (2009) e “ParaNorman” (2012). As tramas inventivas e os personagens extravagantes vistos em todos os projetos do Laika mostram que os filmes de animação deles são sérios concorrentes para os produzidos pela Pixar e pela DreamWorks. 

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O vídeo abaixo mostra um pouco do incrível processo de criação do filme:

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O making of de Harry Potter

No ônibus a caminho dos estúdios Warner Bros. em Londres para ver a exposição “The making of Harry Potter”, encontramos uma fã do bruxo bastante empolgada: vassoura na mão, óculos iguais aos do personagem, ansiedade estampada no rosto... No trem da volta, por coincidência, ela se sentou na nossa frente, desta vez com uma sacola cheia de produtos da loja do estúdio e também com fotos adquiridas no tour, onde os visitantes podem se ver montando uma vassoura e imaginar como seria viver naquele mundo mágico. 

Ela parecia uma criança, mas, assim como eu e meu marido, devia estar na casa dos 30 anos. Para minha surpresa, a maioria dos visitantes do estúdio eram adultos ou jovens adultos. O que no fundo não é tão estranho, pois o primeiro filme da série foi lançado em 2001. É que “Harry Potter” é tão encantador e eterno que a gente esquece que essa história começou faz tempo... Tanto tempo que, na primeira vez em que assisti ao filme, ainda usávamos VHS. Lembro que, na cena em que Harry descobre quem é o vilão da história, a fita enroscou e eu tive de esperar o dia seguinte para trocar a cópia na Blockbuster e finalmente ver o fim do filme!

Todas essas memórias vieram à tona no sábado passado, numa experiência que vale cada centavo pago pelo ingresso e pelo transporte (veja abaixo uma observação sobre o preço). O mais legal da exposição foi se dar conta de que praticamente tudo o que vimos nos filmes teve de ser criado, não eram só efeitos especiais – o que pode parecer óbvio, mas é algo a que não damos atenção quando assistimos ao filme. É um trabalho incrível de milhares de pessoas, desde os artistas que esculpiram as vassouras e o cálice de fogo, passando pelos que bordaram a tapeçaria vista na casa dos Black, até os designers que criaram os jornais, as embalagens e as demais peças gráficas que vimos nos filmes. Essas pessoas foram reconhecidas numa sala que imita a loja Olivaras: o nome de cada uma delas está colado em “caixas de varinhas” empilhadas por todos os cantos. Merecidamente!

Sobre o transporte

Quando compramos os ingressos para o tour (31 libras por pessoa), havia a opção de pagar 59 libras pelo pacote que incluía transporte de ida e volta ao centro de Londres. Acostumados com lugares que tiram vantagem dos clientes na hora de vender pacotes, preferimos comprar só as entradas para o estúdio e usar o transporte público, achando que seria metade do preço (é que ainda não tínhamos sido apresentados aos valores absurdos do famoso “underground” de Londres!).

Para chegar ao tour por conta própria, saímos da estação Baker Street e levamos pouco mais de uma hora até a Watford Junction – foram mais de 20 estações (uma baldeação para o “overground”) e a viagem custou 12,50 libras por pessoa. Depois disso, ainda precisamos pegar um ônibus especial do estúdio, que custou 2 libras ida e volta. No total, foram 27 libras por pessoa para ir e voltar do passeio. Ou seja, apenas 1 libra a menos que o transfer vendido com o tour, que pega os visitantes perto da estação Victoria ou da Baker Street. Por isso, sem dúvida recomendo a compra do pacote a quem estiver planejando ver o Harry.

(Clique nas fotos para ampliar. São tantos detalhes que foi difícil selecioná-las.)